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segunda-feira

Gostaria de estar vindo aqui postar que tive dias de muito trabalho e com comentários legais sobre os eventos e sobre o fim de semana, mas infelizmente o que tenho pra deixar aqui é medo, insegurança e incredulidade perante tanta violência.

Quinta-feira, estou eu indo em direção ao Hotel Transamérica para iniciar mais um Congresso, o que seria o último da semana. Tudo ia bem, não fosse o fato de ter sido abordada por dois filhos-de-uma-grandíssima-puta, seres que eu realmente não entendo por quê Deus permite vir ao mundo. Esses dois infelizes fecharam o táxi onde eu estava em plena ponte Transamérica, no meio do trânsito e de arma em punho me ameaçaram e também ao motorista roubando o notebook da empresa para qual trabalho.
Tudo aconteceu muito rápido, e nós ali, sem ter pra onde correr, sem poder fazer nada a não ser entregar o que eles queriam ou morrer.
Tamanha era a força que o bandido empregava batendo com a arma contra o vidro do carro do meu lado que por um milagre não disparou.
Quando me dei conta estava já dentro do estacionamento do hotel, sem conseguir manter-me em pé, num estado de pânico indescritível.
Não é possível que esse tipo de coisa continue acontecendo sem que nada seja feito por ninguém.
Na delegacia, o escrivão foi gentil e pra me consolar me mostrou uma pilha de outros BOs com fatos semelhantes ocorridos na mesma região.
O resultado disto é que estou com muito medo. Medo de sair de casa, de vir pro trabalho, de ir a qualquer lugar e até mesmo de ficar sozinha em casa.
Hoje vim pra agência, mas cheguei aqui com um aperto no peito, uma angústia profunda. Estou me mantendo à base de um calmante leve pra suportar as cenas terríveis que me vêem a todo momento.
Fico me questionando se deveria ter agido de forma diferente. E fico imaginando que outras formas de ação poderiam ter resultado em outra reação dos bandidos.
Não sei se agi certo, às vezes penso que sim, às vezes que não.
Agradeci a Deus por me manter viva, sem ter levado um tiro ou mais, mas ao mesmo tempo questionei novamente o por quê de tanta violência. Não consigo aceitar isso, não consigo perdoar por ter passado por isso.
E chego a pensar que realmente meu fardo nesta vida seja mais pesado do que eu imaginava por ter de passar por uma situação dessas.
Todos me dizem que essa sensação ruim irá passar, isso até pode acontecer, mas o que eu vivi lá, naqueles segundos entre o bandido atirar ou não e eu estar aqui ou não pra relatar, isso eu jamais vou esquecer.
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